Monday, December 28, 2009

orfandade - fernando ribeiro


Ninguém gosta de mim.

“Não digas isso filha, a tua mãe gosta muito de ti.”

Mas tu não contas mãe, porque estás morta.

Ninguém gosta de mim.

“Não digas isso tal filha, tu és a menina dos meus olhos.”

Mas tu não contas pai, porque já não esta mais entre nós.

Ninguém gosta de mim.

“Não fales assim, és a minha queridinha netinha.”

Mas tu não contas avó, porque respiras sozinha, debaixo da terra.

O corpo frio em cima dos lençóis.
O corpo que viaja no escuro por debaixo da cama.

Junta-te a nós. Isso é o amor.
Dita-te a meu lado. Isso é o amor.

Haverá amor ma vida depois da morte?
Poderemos amar depois de termos chegado ao fim?