orfandade - fernando ribeiro
Ninguém gosta de mim.
“Não digas isso filha, a tua mãe gosta muito de ti.”
Mas tu não contas mãe, porque estás morta.
Ninguém gosta de mim.
“Não digas isso tal filha, tu és a menina dos meus olhos.”
Mas tu não contas pai, porque já não esta mais entre nós.
Ninguém gosta de mim.
“Não fales assim, és a minha queridinha netinha.”
Mas tu não contas avó, porque respiras sozinha, debaixo da terra.
O corpo frio em cima dos lençóis.
O corpo que viaja no escuro por debaixo da cama.
Junta-te a nós. Isso é o amor.
Dita-te a meu lado. Isso é o amor.
Haverá amor ma vida depois da morte?
Poderemos amar depois de termos chegado ao fim?
